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O ultrassom transcraniano é um exame indicado no acompanhamento dos pacientes com Cirrose Hepática, como prevenção da insuficiência hepática e, consequentemente, da encefalopatia hepática.

A insuficiência hepática é uma doença causada pela destruição súbita e maciça dos hepatócitos (as células do fígado) ou por distúrbios que comprometam a capacidade dessas células para desempenharem suas funções normais. Esta condição leva à deficiência funcional grave do fígado, com alteração de todo o seu metabolismo.

A doença é caracterizada pelo desenvolvimento de encefalopatia hepática e coagulopatia, com uma taxa de mortalidade elevada, por estar associada à tumefação encefálica e hipertensão intracraniana, que ocorrem na maioria dos doentes.

Estas complicações são decorrentes do acúmulo de produtos de necrose hepática e do comprometimento da autorregulação do fluxo sanguíneo encefálico, que tornam o encéfalo mais vulnerável à tumefação e à hipertensão intracraniana.

São numerosas as causas para o problema, como hepatites virais, uso de determinados medicamentos, doenças metabólicas, exposição a substâncias tóxicas, isquemia, entre outras. Neste artigo, vamos compreender como o ultrassom transcraniano vem contribuindo com o diagnóstico dessas patologias.

Quadro Clínico da Insuficiência Hepática

A insuficiência hepática pode iniciar com sintomas não específicos, como náusea, mal-estar e fadiga. A capacidade de metabolização de hormônios, bilirrubinas, vitaminas e mesmo medicamentos torna-se prejudicada.

Diversos fatores da coagulação sanguínea sintetizados no fígado também diminuem. Micro-organismos e endotoxinas provenientes do intestino podem alcançar a circulação sanguínea, favorecendo a instalação de infecções e a liberação de substâncias inflamatórias, com graves consequências circulatórias.

Diversos estudos mostram que o fluxo sanguíneo encefálico está comprometido em pacientes com doença hepática grave aguda ou crônica. Estes pacientes apresentam um estado circulatório hiperdinâmico, causando um comprometimento da autorregulação encefálica.

A Evolução da Encefalopatia Hepática

A encefalopatia hepática é uma síndrome clínica muito comum em portadores de doença hepática crônica, acometendo de 50% a 70% dos cirróticos no curso da sua doença, com caráter progressivo se não identificada e tratada adequadamente. É caracterizada por sinais e sintomas neurológicos em portadores de insuficiência hepática, quando estes não podem ser atribuídos a outra causa.

A evolução da encefalopatia hepática é descrita em quatro estágios, iniciando-se com alterações de comportamento, distúrbios do sono-vigília, desorientação têmporo-espacial, evoluindo para estágios mais avançados como o pré-coma e o coma hepático.

Juntamente com estas alterações neuropsíquicas próprias da encefalopatia hepática, é comum a instalação de infecções, insuficiência renal e hemorragias, em que outros órgãos podem ser acometidos, como o cérebro, rins, pulmões, medula, sistema circulatório e sistema imunológico.

Diagnóstico da Encefalopatia Hepática

Antecedentes de cirrose hepática geralmente contribuem para o diagnóstico da encefalopatia hepática. Porém, mesmo nestes pacientes, a alteração de nível de consciência pode estar relacionada a outras patologias, como eventos vasculares cerebrais ou infecção no sistema nervoso central.

Portanto, o diagnóstico de encefalopatia hepática é geralmente de exclusão, em que avaliamos a presença de sinais e sintomas relacionados a outras causas para a alteração no nível de consciência, como déficits focais, alteração nos nervos cranianos ou irritação da meninge.

Fatores que também auxiliam na suspeita diagnóstica incluem: o aumento da produção de amônia ou da difusão de amônia pela barreira hemato-encefálica e drogas depressoras do sistema nervoso.

Enfim, o diagnóstico da encefalopatia hepática à beira do leito é um desafio considerável, já que devemos levar em consideração diversos fatores diagnósticos diferenciais que induziram ao seu desenvolvimento.

O Ultrassom Transcraniano no Diagnóstico da Encefalopatia Hepática

O advento do ultrassom ultrassom transcraniano possibilitou a avaliação não invasiva da hemodinâmica encefálica. Há uma hipótese de que pacientes cirróticos apresentam vasoconstrição cerebral de forma mais pronunciada na cirrose descompensada e na presença de encefalopatia.

Quanto mais grave a encefalopatia, mais alterações são observadas na hemodinâmica cerebral. Uma importante complicação é a hipertensão intracraniana, decorrente de mecanismos relacionados à perda da autorregulação encefálica.

Desta forma, o papel do ultrassom transcraniano no manejo dos pacientes com Encefalopatia Hepática consiste em favorecer um melhor entendimento da fisiopatologia da doença, para a implementação de medidas que melhorem a perfusão encefálica, evitando ou minimizando a lesão tecidual secundária.

Ultrassom Transcraniano na Cirrose Hepática
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Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo

Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
Dr Daniel Azevedo

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