Traumatismo Cranioencefálico na Infância e o Risco de TDAH

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O traumatismo cranioencefálico é uma condição muito frequente entre crianças, adolescentes e adultos-jovens. Estima-se que mais de um milhão de pessoas, de todas as faixas etárias, são anualmente internadas em prontos-socorros dos EUA devido a traumatismos cranioencefálicos na infância. Esse transtorno frequentemente é associado ao surgimento de problemas de atenção nas crianças.

Um estudo publicado no periódico JAMA Pediatrics aponta que 1 a cada 4 crianças que sofreram Traumatismo Cranioencefálico tem maior risco de desenvolver TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) secundário, e mesmo os casos leves ou moderados podem propiciar a evolução deste transtorno.

Traumatismo Cranioencefálico na Infância e o Risco de TDAH

O TDAH trata-se de um transtorno psiquiátrico também muito comum: prevalece em cerca de 20% das crianças após a ocorrência de um traumatismo encefálico na infância.

Foi revelado que a gravidade do ferimento não é totalmente responsável pelo aparecimento de TDAH, e que a evolução da condição pode ocorrer de 3 a 10 anos após a lesão, gerando dificuldades para a criança e comprometendo diversos aspectos de sua vida.

Há um risco 20% maior de se desenvolver TDAH após um traumatismo cranioencefálico. Ademais, há outros fatores que podem influenciar a evolução desse transtorno, incluindo a idade, uma família disfuncional e uma condição socioeconômica precária.

Traumatismo Cranioencefálico na Infância e o Risco de TDAH – Metodologia do Estudo

A pesquisa teve como base a análise de 81 crianças hospitalizadas em decorrência de traumatismo cranioencefálico, durante um período de dez anos. A coleta de dados do acompanhamento final foi realizada recentemente, em 2015.

58% dos participantes da pesquisa eram do sexo masculino, e 27% de etnia não branca. A média de idade dos pacientes analisados no momento do traumatismo cranioencefálico foi de 5,1 anos (uma variação dos três aos sete anos).

O principal objetivo do estudo foi determinar, a longo prazo, o surgimento do TDAH após um traumatismo cranioencefálico na infância. Os pesquisadores consideraram diversos fatores de risco individuais dos pacientes, incluindo faixa etária, gravidade da lesão, escolaridade materna, funcionalidade familiar e possíveis prenunciadores ambientais.

No início do estudo, nenhuma das crianças analisadas tinha diagnóstico de TDAH. A avaliação inicial para TDAH secundário foi realizada cerca de 1 a 3 meses após o traumatismo craniano. Aos 6, 12 e 18 meses, bem como ao redor de 3, 4, 6 e 8 anos após a internação hospitalar, foram realizadas novas avaliações.

Traumatismo Cranioencefálico na Infância e o Risco de TDAH – Resultados do Estudo

O resultado do presente estudo indicou que uma em cada quatro crianças com histórico de traumatismo cranioencefálico foi diagnosticada com o transtorno do déficit de atenção e/ou hiperatividade secundário.

Dentre as 48 crianças diagnosticadas TDAHs, o grupo contou com 13 crianças com traumatismo cranioencefálico grave, seis com traumatismo cranioencefálico moderado, 13 com traumatismo cranioencefálico leve com complicações, e 16 do grupo de controle com lesão ortopédica.

Uma parcela das crianças traumatismo cranioencefálico leve e moderado apresentaram o TDAH somente após o primeiro ano de observação, fator que destaca a importância do acompanhamento médico continuado durante anos após o traumatismo cranioencefálico na infância.

Níveis baixos de escolaridade materna, bem como níveis elevados de disfuncionalidade familiar e o sexo masculino configuraram fatores de risco para a ocorrência de TDAH secundário. Crianças que apresentam estas características têm um risco particularmente maior de desenvolver o transtorno e por isso devem ser rigorosamente acompanhadas por especialistas.

Traumatismo Cranioencefálico na Infância e o Risco de TDAH – Acompanhamento Médico

O especialista responsável pelo acompanhamento de crianças com histórico de traumatismo cranioencefálico é o médico neuropediatra. Após a ocorrência do traumatismo, é interessante realizar uma avaliação com um neurologista especialista em TDAH.

A equipe médica deve orientar os pacientes e suas famílias em relação ao maior risco de desafios relacionados à atenção ao longo do tempo, além de monitorar estes pacientes, vigiando a alteração de seus sintomas quanto ao surgimento de TDAH, de modo que o tratamento adequado seja iniciado no momento certo.

Traumatismo Cranioencefálico na Infância e o Risco de TDAH – Funcionalidade Familiar

Sabendo que fatores como disfuncionalidade familiar e precariedade socioeconômica têm potencial de agravar o risco de TDAH em pessoas que sofreram de traumatismo craniano na infância, é evidente a necessidade dos profissionais de saúde voltarem sua atenção a crianças que pertencem a famílias disfuncionais, além de oferecerem serviços de apoio visando obter desfechos positivos do tratamento.

Da mesma forma que a intervenção familiar é um fator determinante no prognóstico de crianças com traumatismo cranioencefálico, é importante que os médicos identifiquem cedo a manifestação do TDAH e tomem medidas para evitar que a condição comprometa funcionalmente a vida dessas crianças.

Traumatismo Cranioencefálico na Infância e o Risco de TDAH
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Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo

Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
Dr Daniel Azevedo