anemia falciforme
Anemia Falciforme e Risco de AVC
1 de junho de 2017
entrevista Dr Daniel Azevedo
Entrevista Dr Daniel Azevedo Neurologista para o Momento Saúde
13 de setembro de 2017

O acidente vascular cerebral é responsável, atualmente, por mais mortes que a AIDS, tuberculose e malária juntas, sendo a primeira causa de morte no Brasil. O AVC isquêmico, originado por um bloqueio no fluxo de sangue nos vasos cerebrais, ocorre em cerca de 80% dos casos. Já o hemorrágico, quando um vaso do cérebro se rompe, incide em torno de 20% dos casos.

Em ambos os casos, é necessário compreender que as sequelas surgem da interrupção do fluxo sanguíneo, que desencadeia um processo de morte celular naquela região.

Os danos cerebrais causados pelo AVC vão depender da região do cérebro que for afetada. Quando a área de linguagem for comprometida, o paciente pode ficar com dificuldade para falar adequadamente. Se a área afetada for a motora, o paciente passa a ter dificuldade para caminhar ou mexer um dos lados do corpo.

Contudo, se o AVC for tratado de maneira rápida e adequada, a probabilidade de o paciente não ter nenhuma sequela é grande. Por esse motivo, é tão importante o reconhecimento dos sintomas e o rápido atendimento em hospital especializado. Neste artigo, vamos compreender melhor como é realizado o tratamento do paciente com AVC.

Tratamento da fase aguda

Nenhum medicamento deve ser dado ao paciente que está tendo um AVC, antes da avaliação médica. Algumas pessoas tomam uma aspirina e esperam os sintomas passarem, ao invés de ir à emergência, mas no caso do AVC, isto não é recomendado.

O paciente deve ser avaliado por um especialista, que faz o diagnóstico diferencial entre AVC hemorrágico ou isquêmico e inicia o tratamento correto para o caso. É importante chegar à emergência em até 4 horas após o início dos sintomas. Isto é necessário para que o paciente possa receber o medicamento adequado, a tempo de minimizar os danos causados no encéfalo.

Pacientes com AVC isquêmico são tratados com um fármaco intravenoso para dissolver o coágulo e evitar dano cerebral. Se o problema for hemorrágico, a pressão arterial é controlada e o paciente é encaminhado para uma unidade de tratamento intensiva. A equipe médica também monitora o paciente para evitar a ocorrência de novos derrames.

Também estão sendo desenvolvidos protocolos mais ágeis, que possam minimizar ou até mesmo eliminar a possibilidade de sequelas, quando o paciente sofre um AVC isquêmico. Um desses métodos é a Trombectomia endovascular, procedimento em que é utilizado um stent que auxilia na retirada do coágulo que está obstruindo a circulação cerebral, principalmente em caso de oclusão aguda de grandes vasos, como a artéria carótida interna.

O tratamento cirúrgico para o AVC hemorrágico procura retirar o sangue acumulado no cérebro. Em alguns casos, coloca-se um cateter para avaliar a pressão dentro do crânio, que aumenta por conta do inchaço do cérebro após o sangramento.

Tratamento pós-AVC

O tratamento após o AVC inclui a reabilitação neuromotora, inicialmente focando na restauração da capacidade funcional, e readaptando aptidões motoras e cognitivas do paciente.

Mas incluir medidas de controle dos fatores de risco para um novo AVC, como a má alimentação, o sedentarismo e o tabaco, entre outros, ajudam o paciente a reduzir os riscos de morte por doenças cardiovasculares, além de sua capacidade física e qualidade de vida.

Na maioria das vezes, os sobreviventes de um AVC podem precisar de apoio psicológico e emocional, pois é comum que eles apresentem depressão. Quando um paciente que teve AVC está deprimido, acaba tendo menor capacidade de seguir os protocolos de tratamento e reabilitação, além de ter uma maior tendência à irritabilidade.

A recuperação da depressão pode levar algum tempo, mas é extremamente necessária para facilitar a reabilitação. Assim, é essencial que este paciente tenha acesso à ajuda profissional e também receba apoio emocional contínuo de seus familiares e amigos.

Abordagens não farmacológicas

A musicoterapia é uma das abordagens terapêuticas que vem ajudando pacientes na recuperação das sequelas de AVC, pois as letras e melodias motivam o paciente a reaprender e se comunicar, além da sensação de prazer que a melodia proporciona, pois ativa regiões cerebrais responsáveis pelo bem-estar.

Durante as sessões, são utilizados diversos instrumentos, e o aprendizado é constante, mas não se trata de uma aula de música. Elementos como ritmo, melodia e harmonia são utilizados como recursos terapêuticos para estimular o paciente em níveis emocionais, sociais, intelectuais e motores.

Tratamento do AVC – Saiba Mais
4.9 (98.41%) 88 votos
Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo

Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
Dr Daniel Azevedo