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TDAH na Terceira Idade – Saiba Mais

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A manifestação do TDAH na terceira idade tornou-se um interessante tópico de interesse devido ao aumento do número de adultos com 50 anos ou mais que buscam avaliação para o transtorno. Pouco se sabe sobre o TDAH na população geriátrica, mas muitos pacientes mais velhos diagnosticados relatam lutas ao longo da vida, tanto academicamente como em suas carreiras e vidas pessoais.

Veja neste artigo como o TDAH não diagnosticado em pacientes idosos pode levar a prejuízos funcionais, psicológicos, sociais e vitalícios.

Existe TDAH na Terceira Idade?

Identificar o TDAH pode ser complicado em qualquer idade. Não há exame de sangue ou cerebral que revele o transtorno. Assim, a maioria dos adultos com TDAH geralmente é diagnosticada a partir de outros distúrbios psicológicos, que incluem transtornos de humor, problemas de memória e dificuldades de aprendizagem.

É um desafio avaliar adultos mais velhos com TDAH porque o processo normal de envelhecimento imita alguns sintomas clássicos do distúrbio. Os sintomas de TDAH, por sua vez, se sobrepõem a alguns sinais reveladores de comprometimento cognitivo leve e demência precoce.

Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade x Comprometimento Neurológico

O envelhecimento cognitivo normal começa por volta dos 30 anos, quando a velocidade de processamento cerebral e o tempo de resposta motora começam a sofrer uma desaceleração gradual. Em meados dos 40 anos, nosso raciocínio verbal e matemático começa a desaparecer. A atenção seletiva – concentrar-se em uma coisa específica e ignorar informações irrelevantes – também diminui com a idade. O mesmo vale para a memória de trabalho e para nossa capacidade de recuperar um pensamento ou ideia recente depois de estar momentaneamente distraído.

Muitas funções executivas diminuem à medida que envelhecemos – inibindo nossas respostas (pensar antes de agir) e nossas reações a estímulos motores (dirigir um carro com segurança).

O Comprometimento Cognitivo Leve configura uma condição mais séria, mas, em seus estágios iniciais, seus sintomas também são similares ao envelhecimento comum. As pessoas com esta condição apresentam dificuldade em lembrar nomes de pessoas que conheceram recentemente ou acompanhar o fluxo de uma conversa. Elas têm uma tendência a perder as coisas, enfrentar problemas com organização e planejamento, problemas com atenção e foco, lentidão nas habilidades de linguagem e função executiva prejudicada.

Se essa lista parcial de problemas que afetam o envelhecimento e o comprometimento cognitivo soa familiar, é porque ela engloba muitos sintomas do TDAH em adultos. Cérebros com TDAH tendem a processar informações mais lentamente (possivelmente porque estão produzindo dezenas de resultados possíveis).

As falhas da memória de trabalho também afetam todos os adultos com TDAH, assim como os problemas de atenção. A função executiva – planejamento, organização e conscientização de tempo – é um desafio contínuo para crianças e adultos com TDAH. Os adultos que convivem com a condição costumam perder objetos pessoais, têm problemas de atenção e se perdem em conversas com frequência.

Ferramentas de Tratamento do TDAH na Terceira Idade

Medicamentos estimulantes ainda são o tratamento de primeira linha do TDAH, inclusive para adultos mais velhos. Contudo, como as pessoas mais idosas muitas vezes tomam outros medicamentos para problemas de saúde não relacionados, as interações medicamentosas são uma consideração importante no tratamento do TDAH.

Um diagnóstico adequado é absolutamente necessário para o tratamento médico dos sintomas: tanto o tratamento farmacêutico quanto a psicoterapia e outras intervenções comportamentais exigem um diagnóstico para que sejam efetivas.

Descobrir o TDAH na meia-idade ou mais tarde pode ser devastador – ou abrir portas para sonhos há muito descartados. O médico neurologista pode lhe ajudar neste processo, com as abordagens terapêuticas mais eficazes para o seu caso.

Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo em Neurologista SP
Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
Dr Daniel Azevedo
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