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Fibrilação atrial e AVC são condições intimamente relacionadas. A fibrilação atrial configura um grave fator de risco para o AVC. Quando o sangue acumula-se nas câmaras do coração, pode ocorrer a formação de coágulos de sangue. Estes coágulos entram na corrente sanguínea e alojam-se em alguma artéria ou vaso, causando obstrução.

Com a leitura deste artigo, conheça melhor esta relação e suas causas.

Fibrilação Atrial e AVC

A fibrilação atrial corresponde ao batimento rápido e irregular do átrio esquerdo (câmara superior) do coração. Essas contrações são mais fracas que as contrações normais, resultando em um fluxo lento de sangue no átrio.

Nesta situação, as duas câmaras superiores do coração, ao receber o sangue, estremecem ou “fibrilam”, ao invés de se contraírem normalmente. Dessa forma, os batimentos cardíacos não conseguem bombear eficientemente o sangue para fora do coração.

O ritmo de circulação do sangue torna-se mais lento e pode resultar na formação de coágulos sanguíneos. Se um coágulo viaja para o cérebro, pode causar um AVC, bloqueando o fluxo de sangue pelas artérias cerebrais.

Fibrilação Atrial e AVC – Risco

O risco de fibrilação auricular (atrial) é maior em pessoas com mais idade. Isto porque elas apresentam doença coronária e/ou hipertensão arterial, diabetes e excesso de hormônios tireoidianos.

A fibrilação atrial está associada a AVCs isquêmicos mais graves e ataques isquêmicos transitórios “mais longos”, presumivelmente devido à embolização de coágulos maiores.

Como resultado, os pacientes com fibrilação atrial que sofrem um acidente vascular cerebral isquêmico parecem ter um desfecho pior, com mais incapacidade e maiores taxas de mortalidade, em relação àqueles que têm um acidente vascular cerebral isquêmico na ausência da condição.

Fibrilação Atrial e AVC – Sintomas

Algumas pessoas com FA não apresentam sintomas, mas outras podem experimentar uma sensação de vibração na área do tórax acima do coração, dor no peito, tontura ou desmaio, falta de ar e fadiga.

Como na maioria dos casos a condição é assintomática, é extremamente necessário o acompanhamento periódico das pessoas que apresentam fatores de risco.

Fibrilação Atrial e AVC – Diagnóstico

A fibrilação atrial é diagnosticada por um eletrocardiograma (ECG), um dispositivo que registra a atividade elétrica do coração. Outros testes são frequentemente realizados para descartar causas contribuintes, como pressão alta, uma glândula tireoide hiperativa, insuficiência cardíaca, válvulas cardíacas defeituosas, doença pulmonar e estimulante ou abuso de álcool. Algumas pessoas não terão uma causa identificável para a fibrilação atrial.

Fibrilação Atrial e AVC – Prevenção

Um grande estudo dinamarquês, publicado no início de maio no “British Medical Journal Heart”, examinou a associação entre a ingestão de chocolate e o desenvolvimento de fibrilação atrial.

Os pesquisadores acompanharam os hábitos alimentares de mais de 55 mil pessoas, entre 50 e 64 anos, durante 13 anos. Foi constatado que os participantes com níveis mais altos de ingestão de chocolate amargo tiveram uma taxa menor de fibrilação atrial.

Pesquisas futuras ainda são necessárias para confirmar esta descoberta e determinar quais níveis de ingestão de chocolate estão associados com esta redução no risco da doença.

Contudo, a hipótese dos pesquisadores é de que o consumo moderado de cacau e derivados pode promover a saúde cardiovascular pelo seu alto teor de flavonoides, um subgrupo de polifenóis com benefícios vasodilatadores, antioxidantes e anti-inflamatórios.

Pessoas com fibrilação atrial podem ter acidentes vasculares cerebrais recorrentes, incluindo os eventos considerados silenciosos (AVCs que não mostram sintomas físicos, mas aparecem em um exame de imagem). Com o tempo, o problema pode causar demência e diversas formas de incapacidade. Isto reforça a importância da prevenção, por meio do acompanhamento médico frequente.

Artigo publicado em: 18/05/2017.

Artigo atualizado em: 07/12/2018.

Compreenda a Relação entre Fibrilação Atrial e AVC
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Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo

Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
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