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Pressão Alta na Gravidez, quando não adequadamente tratada, pode afetar negativamente a saúde da mãe e do bebê, durante o parto ou após o parto. As complicações da hipertensão na gravidez tornaram-se mais comuns ao longo dos anos, necessitando também do acompanhamento mais de perto de um médico neurologista com sólidos conhecimentos na hemodinâmica cerebral.

Neste artigo, compreenda melhor as complicações hemodinâmicas desta condição, e como o médico especialista atua no seu manejo.

A Pressão Alta na Gravidez

Diferenças consideráveis na hemodinâmica cerebral podem ser observadas nos vários tipos de distúrbios hipertensivos relacionados à gravidez. A pré-eclâmpsia e a eclâmpsia representam uma síndrome com hipertensão induzida pela gravidez. Ambas estão associadas a morbidade e mortalidade consideráveis.

Acredita-se que a síndrome de pré-eclâmpsia / eclâmpsia reflita um subtipo de encefalopatia hipertensiva. Além disso, uma disfunção nos vasos sanguíneos que atuam na autorregulação cerebral tem sido proposta. Os sintomas neurológicos na encefalopatia hipertensiva têm sido atribuídos a vasoespasmo acentuado ou vasodilatação forçada.

Pressão Alta na Gravidez – Riscos para a Gestante e o Bebê

Para a mãe, qualquer condição hipertensiva, independentemente de ter sido diagnosticada antes ou durante a gestação, pode estar ligada à pré-eclâmpsia, eclâmpsia, acidente vascular cerebral, indução do parto prematuro e descolamento da placenta.

Para o bebê, a pressão alta durante a gravidez pode afetar os vasos sanguíneos – incluindo os do cordão umbilical. Quando os vasos se contraem, torna-se mais difícil para o bebê obter oxigênio e nutrientes suficientes e isto pode resultar em parto prematuro e baixo peso ao nascer.

Pressão Alta na Gravidez – Compreenda a Pré-Eclâmpsia e Eclâmpsia

A grande preocupação dos profissionais relacionada à pressão alta na gravidez, que acarreta cuidados e acompanhamentos especiais, deve-se à pré-eclâmpsia, um problema que, quando diagnosticado, pode acarretar graves danos à saúde da gestante e do bebê, até mesmo fatais.

A pré-eclâmpsia é uma condição grave que pode afetar qualquer gestante que apresente pressão arterial elevada, fazendo com que toda proteína da gestante seja eliminada de seu corpo através da urina. Os sintomas mais comuns são: dores intensas na nuca e na cabeça, visão turva com pontos brilhantes e inchaço por todo o corpo (principalmente pernas e pés), falta de ar e náuseas.

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Quando há suspeita de pré-eclâmpsia na gravidez, prontamente o obstetra responsável pelo acompanhamento da gestação deve solicitar um exame de urina. Através dele, será diagnosticada e confirmada a suspeita, caso haja proteína na amostra de urina. Isso levará a gestante à visitas e exames muito mais frequentes ao médico, e controle mais rígido de sua pressão arterial.

A partir do momento que a pré-eclâmpsia se agrava e afeta o cérebro, acarretando coma ou convulsões, ela se torna eclâmpsia. Os sintomas mais comuns desta condição variam desde dores musculares, dores de cabeça e agitações, até perda de consciência e convulsões.

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A pré-eclâmpsia e a eclâmpsia afetam o funcionamento da placenta. Isso porque, conforme a pressão arterial da gestante aumenta, o fluxo de sangue é reduzido, e a placenta pode ser incapaz de cumprir seu papel de fornecer sangue, oxigênio e nutrientes ao feto. Isso pode levar o bebê a nascer com peso inferior, entre outros problemas de saúde.

O parto é a única forma de curar a eclâmpsia; na maioria dos casos, os partos são antecipados. Entretanto, existem formas de tratamento dessa condição, tais como medicamentos para prevenir convulsões, mudanças no ritmo e no estilo de vida (adoção de hábitos saudáveis, tais como ingerir pouco sódio, caminhar regularmente e repousar) e hospitalização. Uma vez que o bebê nasce, a pressão arterial da gestante tende a voltar ao normal até 12 semanas pós-parto.

Pressão Alta na Gravidez – Acompanhamento Médico

São muitos os cuidados a serem tomados pelo médico e pela gestante quando constatada a pressão alta na gravidez. Além das recomendações de repouso absoluto e mínimo de estresse e preocupações para não agravar ainda mais o aumento da pressão, o médico indicará uma dieta balanceada e rigorosa, baseada na ingestão de muito líquido e alimentos ricos em ácido fólico, e redução à zero de alimentos salgados e temperos fortes.

Pressão Alta na Gravidez

Muitas das vezes, esses métodos não serão suficientes para a queda da pressão da mulher, mas auxiliará em seu controle; nos casos do repouso e da dieta não apresentarem resultados no controle da pressão alta, há recomendação de medicamentos anti-hipertensivos.

No caso de mulheres que já sofriam de pressão alta antes da gravidez, o acompanhamento deve ser muito mais rígido, em questões de alimentação, ganho de peso e ingestão de remédios já tomados anteriormente, devido à tendência de uma piora drástica da hipertensão.

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Pressão Alta na Gravidez –  Papel do Doppler Transcraniano

Durante o período de gestação, exames que necessitam do uso de contraste e radiação, necessários em exames de imagens, não são indicados. O acesso à circulação cerebral de uma gestante torna-se muito difícil.

Assim, o método de Exame do ultrassom de Doppler Transcraniano (técnica baseada em ondas de ultrassom) trata-se de um procedimento sensível e eficaz na revelação de anormalidades teciduais encefálicas, e sem necessidade de aberturas cirúrgicas no crânio.

Esse exame é fundamental para diagnosticar a pressão alta na gravidez, assim como estimar o risco de pré-eclâmpsia e eclâmpsia, uma vez que estuda as alterações da hemodinâmica encefálica através de uma técnica não invasiva, sem necessidade de comprometer a gestação com utilização de contrastes ou radiações.

Se você vem apresentando sintomas de pressão alta na gravidez, além do acompanhamento de pré-natal, procure o auxílio de um médico neurologista, que possa lhe orientar quanto a prevenção de complicações.

Artigo publicado em: 02/02/2018.

Artigo atualizado em: 08/02/2019

Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo em Neurologista SP
Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
Dr Daniel Azevedo

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