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A Isquemia Cerebral Transitória é uma redução significativa do fluxo sanguíneo localizada na região cerebral, devido a obstrução arterial ou a hipoperfusão sistêmica. A falta de irrigação sanguínea e de oxigênio no cérebro provoca muitos danos cerebrais, resultando na perda de consciência em um primeiro momento, e se não for devidamente tratada pode resultar em infarto cerebral à longo prazo.

Continue a leitura para saber mais sobre esta condição.

A Isquemia Cerebral Transitória

Em 2009, a American Heart Association e a American Stroke Association publicaram uma declaração científica que atualizou a definição de ataque isquêmico transitório (AIT) para: “um episódio transitório de disfunção neurológica causada por isquemia sem infarto agudo no cérebro, de forma focal”.

Antes desta definição ser revisada, o AIT era frequentemente definido com base na duração dos sintomas em menos de 24 horas, com episódios típicos com duração de menos de 1 hora. A falta de ênfase na duração, nesta definição, deveu-se a vários estudos que demonstraram que até 50% dos AITs classicamente definidos mostraram lesão cerebral na ressonância magnética.  

Se após a recuperação alguns sintomas persistiram, mesmo que atenuados, não foi uma Isquemia Cerebral Transitória, mas sim um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Para constatar clinicamente a ocorrência de um AIT, é preciso que não haja mais ocorrência de sintomas frequentes após a recuperação.

Isquemia Cerebral Transitória – Como Ocorre

Na Isquemia Cerebral Transitória, ocorre uma obstrução ou entupimento de algum vaso que irriga a área cerebral. Assim, a artéria com função de transportar o sangue, o oxigênio e a glicose ao cérebro não consegue empenhar sua função adequadamente.

No momento do AIT, o sangue não chega ao local indicado devido ao vaso entupido e as células cerebrais presentes na região afetada podem morrer, dependendo do tempo de duração deste evento. Assim, o paciente apresenta sintomas diferentes, de acordo com a área afetada.

Isquemia Cerebral Transitória – Fatores de Risco

Os fatores de risco mais conhecidos e frequentes para a ocorrência do AIT (Acidente Isquêmico Transitório) são os mesmos que para um AVC:

  • Idade – quanto maior a idade mais frequente a ocorrência, por isso o AIT ocorre em sua maioria em pessoas de média a alta faixa etária;
  • Tabagismo e sedentarismo – o uso frequente de tabaco ou a falta de exercícios físicos que estimulem o funcionamento saudável do organismo são fatores recorrentes que podem levar à ocorrência de um AIT ou mesmo AVC;
  • Genética – o histórico genético e familiar pode interferir fortemente na possibilidade de episódios de AIT ou AVC;
  • Diabetes, colesterol ou triglicérides alto (dislipidemia), histórico de infarto prévio, doenças cardíacas e arritmia cardíaca – as doenças cardíacas estão em grande relevância dentro do cenário de ocorrência da Isquemia Cerebral Transitória, pois são fatores estimulantes para o acontecimento do problema.

Apesar dos elevados números estatísticos que apontam o acontecimento do AIT em pessoas adultas de média idade e idosos, os jovens também podem se deparar com a Isquemia Cerebral ou AVC.

As pesquisas ainda precisam ser mais detalhadas, mas geralmente as circunstâncias mais frequentes em jovens são o uso de medicações tóxicas ou drogas ilícitas, ou mesmo enxaqueca em altos níveis de severidade.

Isquemia Cerebral Transitória – Sintomas

Os sintomas de maneira geral se assemelham aos de um AVC:

  • Alteração súbita e fraqueza de algum membro (braços e pernas), ou de um só lado do corpo;
  • Alteração súbita da fala, com dificuldade ao expressar as palavras, gagueira e fala enrolada;
  • Alteração da sensibilidade em um lado do corpo;
  • Perda do senso de direção, alteração intensa do equilíbrio, náuseas e vômitos ao tentar andar;
  • Visão embaçada, dupla, tremida, olhos ardendo, ou perda total de um dos lados da visão;
  • Alteração significativa da audição;
  • Sonolência com início repentino;
  • Convulsões e dores de cabeça extremamente fortes.

Um AIT pode durar apenas alguns minutos, e os sintomas geralmente se resolvem antes do paciente se apresentar ao médico. Assim, algumas características devem ser abordadas para o médico não apenas pelo paciente, mas também pelos membros da família, testemunhas e pessoal de serviços médicos de emergência em relação a alterações de comportamento, fala, marcha, memória e movimento, para facilitar o diagnóstico.

Isquemia Cerebral Transitória – Diagnóstico e Tratamento

O tratamento vai depender do grau de acometimento da região cerebral e da artéria. O mais importante no momento de ocorrência da Isquemia Cerebral Transitória é que os familiares não esperem os sintomas se atenuarem em casa ou em qualquer local.

É de extrema urgência que o paciente seja levado imediatamente ao hospital, pois quanto mais tempo passar sem intervenções médicas, piores serão as sequelas.

O principal tratamento para a maioria dos casos de Isquemia Cerebral é controlar os fatores de risco, como reduzir os níveis sanguíneos de colesterol, praticar exercícios físicos mais suaves, reduzir o diabetes, interromper o uso do cigarro e reduzir o consumo de álcool, fatores que também ajudam na redução do peso.

A Isquemia Cerebral Transitória é um fator que acomete muitos indivíduos e precisa ser tratada de forma rápida e adequada. Se você já sofreu um AIT, lembre-se de que precisa de tratamentos à longo prazo para evitar a ocorrência de um AVC, contando com a ajuda de profissionais especializados em neurologia, além de um acompanhamento frequente com o médico neurologista.

Artigo publicado em: 

Artigo atualizado em: 08/02/2019.

Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo em Neurologista SP
Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
Dr Daniel Azevedo
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