Indicações do Doppler Transcraniano na Prática Neurológica

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O exame de Doppler transcraniano (DTC) é um método diagnóstico relativamente novo. Sua primeira descrição ocorreu em 1982 e sua primeira realização no Brasil foi em 1992, na Universidade de São Paulo.

No entanto, este exame vem sendo utilizado cada vez mais em diversas especialidades médicas, que aderiram ao método na análise clínica das mais variadas patologias.

Veja neste artigo as principais indicações para o Doppler transcraniano e como estas foram estabelecidas, com base em níveis de evidência científica.

Indicações do Doppler Transcraniano

O Doppler transcraniano é um método diagnóstico não-invasivo, que utiliza a técnica do ultrassom para medir o fluxo sanguíneo nas principais artérias intracranianas. Através desta técnica, é possível oferecer informações dinâmicas da circulação cerebral, em situações que fatores como tratamento clínico ou cirúrgico impliquem em modificações no fluxo sanguíneo cerebral.

As vantagens deste método são sua portabilidade, que viabiliza a realização do exame em unidades de terapia intensiva, à beira do leito e durante cirurgias, assim como a ausência de toxicidade, que possibilita sua repetição quantas vezes necessário, permitindo o acompanhamento hemodinâmico do paciente durante longos períodos.

Indicações do Doppler Transcraniano – Níveis de Evidência

As principais indicações para o uso do DTC foram estabelecidas com base em níveis de evidência, de acordo com um formato específico para avaliação de tecnologia, experiência pessoal e uma extensa revisão da literatura realizada por Babikian e sua equipe, em 2000.

Foi avaliada a utilidade do ultrassom Doppler transcraniano para vários usos, classificando-o como “Efetivo”, “Estabelecido”, “Promissor” e “Investigacional” para cada uma das principais aplicações clínicas. O documento é aprovado pela Sociedade Americana de Neuroimagem e pelo Grupo de Pesquisa em Neurossonologia da Federação Mundial de Neurologia.

Veja a seguir as principais indicações para a realização do exame:

Avaliação do Fluxo Sanguíneo Cerebral

  • Teste de avaliação da reatividade vasomotora cerebral, medindo-se as alterações na velocidade do fluxo sanguíneo;
  • Teste com solução salina agitada para detecção de comunicação venosa-arterial;
  • Avaliação hemodinâmica de condições clínicas, como a síndrome do roubo da artéria subclávia e estenoses das artérias vertebrais;
  • Avaliação da hemodinâmica cerebral durante a gestação, monitorando condições de hipertensão arterial e prevenindo complicações como a eclâmpsia;
  • Identificar alterações hemodinâmicas da circulação intracraniana causadas por doença arterial não aterosclerótica.

Estudo das Estenoses Arteriais

  • Avaliação dos efeitos hemodinâmicos intracranianos de estenose ou oclusão da artéria carótida interna;
  • Triagem de estenoses em pacientes que apresentam maior risco de doença aterosclerótica intracraniana;
  • Esclarecer dúvidas levantadas por angiografia ou ressonância magnética, como o grau de estenose em regiões de difícil visualização.

Avaliação das Isquemias Cerebrais

  • Permitir maior compreensão dos mecanismos fisiopatológicos do AVC isquêmico, para se estabelecer um tratamento adequado;
  • Teste para a detecção de coágulos sanguíneos nas artérias intracranianas;
  • Estudo de coágulos sanguíneos de origem cardíaca, como em pacientes com fibrilação atrial, próteses valvares, endocardite infecciosa, cardiopatias cianóticas congênitas, forame oval patente, ateromas do arco aórtico e infarto do miocárdio.

Estudo das Hemorragias Cerebrais

  • Avaliação temporal do vasoespasmo cerebral na hemorragia subaracnóidea relacionada com aneurisma cerebral, evitando suas complicações neurológicas;
  • Avaliação da velocidade do fluxo sanguíneo e redução da pressão de perfusão cerebral em pacientes com hipertensão intracraniana.

Outras Indicações do Doppler Transcraniano

  • Avaliação do risco de isquemia em pacientes com anemia falciforme;
  • Identificar os pacientes submetidos a endarterectomia carotídea com alto risco de isquemia cerebral;
  • Identificar as artérias nutridoras de malformações arteriovenosas cerebrais e avaliar a eficácia do tratamento;
  • Avaliação das alterações na velocidade do fluxo sanguíneo e reatividade vasomotora, características dos pacientes com enxaqueca;
  • Avaliação de complicações cerebrovasculares por doenças infecciosas;
  • Exame complementar para a confirmação diagnóstica de morte encefálica no paciente adulto.

Embora as principais indicações da técnica constituam a avaliação diagnóstica

e o controle terapêutico dos pacientes com doenças cerebrovasculares, linhas de pesquisa preventivas, terapêuticas e de monitoração de procedimentos cirúrgicos já estão sendo fortemente estabelecidas.

Indicações do Doppler Transcraniano na Prática Neurológica
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Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo

Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
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