fbpx

Estenose da Artéria Intracraniana – Uma das Causas mais Graves do AVC

teste-deficit-de-atencao
Teste de Déficit de Atenção Serve Como Diagnóstico?
26 de julho de 2019
Cirrose Hepática Aumenta o Risco de AVC
Cirrose Hepática Aumenta o Risco de AVC
9 de agosto de 2019

Estenose da artéria intracraniana é a denominação dada ao estreitamento de uma das artérias no interior do cérebro. Um acúmulo de placa (aterosclerose) dentro da parede da artéria reduz o fluxo sanguíneo para o cérebro. A aterosclerose que é grave o suficiente para causar sintomas carrega um alto risco de AVC, podendo levar o paciente a danos cerebrais e morte.

Neste artigo, confira mais informações sobre a estenose intracraniana, seus sintomas e formas de tratamento.

Estenose da Artéria Intracraniana e AVC

Como já foi apresentado, a estenose intracraniana é um estreitamento das artérias no interior do cérebro. Semelhante à estenose carotídea no pescoço, ela é causada por um acúmulo de placa na parede interna dos vasos sanguíneos. Esse estreitamento dos vasos sanguíneos causa uma diminuição do fluxo sanguíneo para a área do cérebro que os vasos afetados suprem. Existem três maneiras pelas quais a estenose da artéria intracraniana pode resultar em um acidente vascular cerebral:

  • A placa pode crescer cada vez mais, estreitando severamente a artéria e reduzindo o fluxo sanguíneo para o cérebro. A placa pode eventualmente bloquear por completo (ocluir) a artéria.
  • A placa pode tornar-se áspera e deformar a parede da artéria, formando coágulos sanguíneos e bloqueando o fluxo de sangue para o cérebro.
  • A placa pode romper-se, deslocando-se a jusante para se alojar numa artéria menor e bloqueando o fluxo sanguíneo para o cérebro.

Estenose da Artéria Intracraniana – Sintomas

Os sintomas da estenose da artéria intracraniana são um ataque isquêmico transitório (AIT) ou acidente vascular cerebral, que pode ser identificado por: fraqueza facial, especialmente de um lado; fraqueza nos braços ou nas pernas; formigamento ou dormência, especialmente de um lado e fala arrastada.

Os sintomas de um AIT e acidente vascular cerebral são semelhantes. Os AITs ocorrem quando o fluxo sanguíneo para o cérebro é temporariamente interrompido e depois restaurado. Os sintomas normalmente duram alguns minutos e depois cessam completamente; assim, a pessoa volta ao normal. No entanto, esses sintomas não devem ser ignorados; eles são um aviso de que um acidente vascular cerebral isquêmico e lesão cerebral permanente podem estar se aproximando.

Estenose da Artéria Intracraniana – Causas

A aterosclerose é uma das principais causas de estenose da artéria intracraniana. Pode começar no início da idade adulta, mas os sintomas podem não se manifestar durante várias décadas. Algumas pessoas têm aterosclerose progressiva durante os seus trinta anos; outras, durante os seus cinquenta ou sessenta anos.

A aterosclerose começa com danos na parede interna da artéria, causados por pressão alta, diabetes, tabagismo e colesterol “ruim” elevado. Outros fatores de risco incluem obesidade, doença cardíaca, história familiar e idade avançada.

Tratamento

O objetivo do tratamento é reduzir o risco de acidente vascular cerebral. As opções de tratamento para estenose intracraniana variam de acordo com a gravidade do estreitamento e se você está apresentando ou não sintomas de acidente vascular cerebral. Os pacientes são tratados inicialmente com medicação e são encorajados a fazer mudanças no estilo de vida para reduzir o risco.

Medicamentos

A estenose intracraniana pode ser tratada com medicamentos que minimizem os fatores de risco, incluindo o colesterol alto e a pressão alta. Se você fuma, é recomendado parar. Os pacientes com diabetes são aconselhados a manter um controle rigoroso de seu nível de açúcar no sangue, através de uma dieta saudável e um monitoramento cuidadoso.

  • Os medicamentos anticoagulantes permitem que o sangue passe através das artérias estreitadas mais facilmente, evitando a formação de coágulos.
  • Os medicamentos redutores do colesterol ajudam a reduzir a formação de placa adicional. Esses medicamentos podem reduzir o colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade) em uma média de 25 a 30% quando combinados com uma dieta com baixo teor de gordura e baixo teor de colesterol.
  • Os medicamentos para hipertensão ajudam a controlar e regular a pressão sanguínea. Como a hipertensão arterial é um importante fator de risco para o AVC, recomenda-se a realização de aferições regulares de pressão arterial, além da ingestão regular dos medicamentos.

Cirurgia

O objetivo da cirurgia é prevenir o AVC, removendo ou reduzindo o acúmulo de placa e ampliando a artéria para permitir um maior fluxo sanguíneo para o cérebro. O tratamento cirúrgico é considerado para pacientes cujos sintomas não respondem à medicação – aqueles com alto grau de estenose ou com suprimento insuficiente de sangue para uma área do cérebro, por exemplo.

A angioplastia com balão/stent é um procedimento endovascular minimamente invasivo que comprime a placa e aumenta o diâmetro da artéria. O objetivo é reduzir a estenose em menos de 50%, pois um pequeno aumento no diâmetro do vaso resulta em grandes aumentos do fluxo sanguíneo para o cérebro.

O bypass da artéria cerebral é um procedimento cirúrgico que redireciona o suprimento de sangue ao redor da área bloqueada por placa. Esse procedimento requer uma abertura no crânio, chamada craniotomia. Uma artéria doadora do couro cabeludo é separada de sua posição normal em uma extremidade, redirecionada para o interior do crânio e conectada a uma artéria na superfície do cérebro. A artéria do couro cabeludo agora fornece sangue ao cérebro e contorna o vaso bloqueado.

O procedimento é normalmente recomendado quando a artéria está 100% bloqueada e a angioplastia não é possível. Os resultados do bypass da artéria variam muito, dependendo da localização e do tipo de bypass.

Recuperação e Prevenção

Apesar do tratamento com medicamentos, os pacientes que tiveram AVC ou AIT devido à estenose da artéria intracraniana enfrentam um risco de 12 a 14% de AVC recorrente, durante o período de 2 anos após o AVC inicial.

Após a angioplastia, a reestenose pode ocorrer em 7-35% dos pacientes e geralmente não é sintomática. O resultado a longo prazo da prevenção do AVC após a angioplastia ainda não é conhecido, mas os resultados a curto prazo são promissores.

É importante entender que a aterosclerose é uma doença progressiva. Para evitar um AVC, seu médico neurologista pode pedir que você pare de fumar, limite o consumo de álcool, mantenha um bom controle de açúcar no sangue, reduza seu colesterol e tome os medicamentos prescritos.

Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo em Neurologista SP
Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
Dr Daniel Azevedo

Últimos posts por Dr Daniel Azevedo (exibir todos)

Compartilhe