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Em nossa prática, a utilização do Doppler transcraniano na hipotensão ortostática é importante no diagnóstico de alterações no fluxo sanguíneo cerebral, durante a inclinação da cabeça para cima. Vários estudos sugerem que a tontura ortostática pode estar relacionada à hipoperfusão cerebral.

Veja neste artigo mais informações sobre as disfunções do sistema nervoso autônomo relacionadas ao fluxo sanguíneo cerebral e como o ultrassom transcraniano pode ajudar no diagnóstico.

O Doppler Transcraniano na Hipotensão Ortostática

A autorregulação cerebrovascular assegura a constância da perfusão cerebral, apesar das alterações da pressão arterial, desde que a pressão arterial média permaneça entre 50 e 170 mmHg.

O exame clínico da auto regulação baseia-se principalmente em alterações breves da pressão arterial induzidas por medicamentos como angiotensina, fenilefrina ou por manobras de desafio.

Neste caso, a pressão sanguínea é desafiada por uma manobra de inclinação. O fluxo sanguíneo cerebral é determinado por meio de ultrassonografia transcraniana, principalmente do segmento proximal da artéria cerebral média.

Existe alguma controvérsia se uma diminuição da velocidade do fluxo sanguíneo cerebral medida neste segmento indica vasodilatação no segmento insonado ou reflete a redução do fluxo sanguíneo devido à diminuição da perfusão dos segmentos de vasos a jusante.

Vários estudos clínicos e animais são apresentados demonstrando a constância do diâmetro do segmento da artéria cerebral média insonada e, assim, indicando que a diminuição da velocidade do fluxo sanguíneo da artéria cerebral média avaliada pelo Doppler transcraniano é devida a uma diminuição da perfusão a jusante. Medidas diretas intraoperatórias do diâmetro do vaso confirmam esta conclusão.

A Hipotensão Ortostática

A hipotensão ortostática é uma manifestação chave da disfunção autonômica, tipicamente observada quando os mecanismos adaptativos cardiovasculares não compensam a redução do retorno venoso que normalmente ocorre quando se assume a posição ereta.

É a segunda etiologia mais comum da síncope, ocorrendo em aproximadamente 15% das apresentações. Frequentemente afeta pessoas idosas e pacientes com doença de Parkinson, diabetes ou hipertensão arterial. Infelizmente, não é frequentemente reconhecida ou é diagnosticada erroneamente. Seu manejo inclui medidas farmacológicas e não farmacológicas que nem sempre são satisfatórias e podem levar a complicações.

O Doppler Transcraniano na Hipotensão Ortostática da Doença de Parkinson

Os sintomas não motores têm um impacto substancial na qualidade de vida dos pacientes com doença de Parkinson. Entre esses sintomas, a tontura ortostática em pacientes é frequentemente atribuída à hipotensão ortostática.

Embora a disfunção autonômica cardíaca e a hipotensão ortostática geralmente se desenvolvam nos estágios mais tardios da doença de Parkinson, tonturas podem ocorrer nos estágios iniciais. Vários estudos sugeriram que o sintoma pode estar relacionado à hipoperfusão cerebral.

Pacientes com doença de Parkinson com tontura ortostática apresentam menor volume do fluxo sanguíneo cerebral (VFC) do que pacientes com Parkinson sem tontura ortostática. É intuitivo que a disfunção autonômica periférica possa prejudicar o reflexo barorreceptor e resultar em hipotensão ortostática.

Até o momento, vários estudos têm investigado a autorregulação cerebral na doença de Parkinson através do monitoramento com o Doppler transcraniano, e relataram uma resposta hipotensiva leve. Também foi demonstrado que o VFC aumenta durante a inclinação nos controles normais, mas não se altera nos pacientes com Parkinson. Outros estudos mostram também que a autorregulação cerebral está prejudicada em pacientes com Parkinson, independentemente do tratamento dopaminérgico.

Em conclusão, a hipoperfusão cerebral independente da pressão arterial sistêmica pode ser um mecanismo primário de tontura ortostática na doença de Parkinson.

Portanto, a monitorização contínua do Doppler transcraniano durante a inclinação pode ser usada para fornecer informações mais úteis do que a monitorização da pressão arterial para avaliar tontura em pacientes com Parkinson.

Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo em Neurologista SP
Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
Dr Daniel Azevedo
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