Doença de Parkinson e Tremor Essencial – Diagnóstico Diferencial com o Ultrassom Transcraniano

segundo-avc
Como Evitar um Segundo AVC
11 de janeiro de 2019
Conheça as Manifestações do TDAH na Mulher
Conheça as Manifestações do TDAH na Mulher
25 de janeiro de 2019

Doença de Parkinson e tremor essencial são condições neurológicas que envolvem o tremor como sintoma. Especialmente nos estágios iniciais, a diferenciação clínica entre tremor essencial e Parkinson pode ser um desafio diagnóstico.

Neste sentido, o ultrassom transcraniano vem se mostrando um excelente método no diagnóstico diferencial de ambas as doenças, já que demonstra a hiperecogenicidade da substância negra, um achado típico em cerca de 90% dos pacientes com Parkinson, mas não em pacientes com tremor essencial.

Compreenda melhor os aspectos desta diferenciação com a leitura do artigo a seguir.

Doença de Parkinson e Tremor Essencial

Até hoje, não há um teste único que possa distinguir claramente a doença de Parkinson do tremor essencial. As taxas de erros diagnósticos para ambas as doenças nos estágios iniciais são de 20 a 30%.

As razões mais frequentes para o diagnóstico incorreto da doença de Parkinson são a presença de tremor essencial, parkinsonismo vascular e parkinsonismo atípico. Os achados na maioria das técnicas de neuroimagem são até agora inespecíficos em relação ao comprometimento da substância negra. Portanto, o exame clínico de sintomas parkinsonianos bem estabelecidos ainda é a forma mais acurada do diagnóstico de Parkinson.

No entanto, no estágio da doença em que os sintomas clínicos tornam-se mais evidentes, mais de 80% dos neurônios produtores de dopamina morreram e a possibilidade de tratamento foi reduzida. Portanto, a possibilidade de o ultrassom transcraniano detectar o comprometimento inicial da substância negra antes mesmo de os sintomas clínicos serem estabelecidos, o que é indetectável pela tomografia ou pela ressonância magnética, pode ajudar significativamente no diagnóstico da doença de Parkinson.

Doença de Parkinson e Tremor Essencial – Exames de Imagem

A imagem do cérebro com tomografia computadorizada craniana não apresenta grandes alterações na doença de Parkinson. A ressonância magnética é útil na diferenciação da doença de Parkinson e do parkinsonismo atípico, no entanto, a sensibilidade relatada deste método é de apenas 60 a 80% ou menos.

Recentemente, a tomografia por emissão de fóton único com marcadores pré-sinápticos e pós-sinápticos, e tomografia por emissão de pósitrons se mostraram capazes de medir mudanças moleculares mais sutis na substância negra para doença de Parkinson e no núcleo em pacientes com tremor essencial, expressando a perda celular e auxiliando no processo diagnóstico.

Entretanto, o custo é alto e essas técnicas não estão disponíveis em todos os centros para a prática diária. Relatos recentes mostraram que a hiperecogenicidade da substância negra detectada pela ultrassonografia transcraniana é um achado específico do tremor de Parkinson.

O Ultrassom Transcraniano no Diagnóstico Diferencial da Doença de Parkinson e Tremor Essencial

O ultrassom transcraniano foi introduzido há 20 anos para avaliação da hemodinâmica intracerebral e fornecer informações mais precisas sobre o parênquima cerebral. A utilidade da ultrassonografia transcraniana na distinção de alguns distúrbios dos gânglios da base está bem documentada.

Estudos recentes têm consistentemente encontrado alterações hiperecogênicas na área da substância negra em pacientes com doença de Parkinson, usando ultrassonografia transcraniana. Todos os estudos publicados até agora mostraram que a hiperecogenicidade da substância negra é um achado típico em cerca de 90% dos pacientes com Parkinson, mas não em pacientes com tremor essencial.

Como o ultrassom transcraniano é um método não invasivo e de baixo custo, parece ser um instrumento valioso na diferenciação entre estas patologias.

Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo em Neurologista SP
Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
Dr Daniel Azevedo
Compartilhe