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Distúrbios do sono e AVC estão intimamente relacionados. Eles podem apresentar-se tanto como um fator de risco, quanto uma consequência deste evento, afetando a recuperação do paciente e elevando a possibilidade de recorrência.

Com a leitura deste artigo, conheça os tipos de distúrbio do sono observados em pacientes com AVC, sua associação com risco de novos incidentes, assim como as formas de tratamento.

Distúrbios do Sono e AVC

Entre os avanços na identificação de fatores de risco relacionados ao AVC, a relação entre o sono perturbado, a curta duração do sono ou mesmo longos períodos de sono não reparador está bem estabelecida como um fator de risco para este evento, assim como as maiores chances de mortalidade.

A maioria dos pacientes que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) ou um ataque isquêmico transitório (AIT) também apresentam apneia do sono, na maioria das vezes não diagnosticada ou ainda insônia crônica, em ambos os casos com sonolência diurna excessiva.

Distúrbios do Sono como Causa para o AVC

A curta duração do sono e a dificuldade matinal para despertar foram comumente associados a transtornos de humor, dores crônicas e outros distúrbios médicos. No entanto, a insônia com curta duração de sono é suspeita de ser o fator de risco biológico mais grave de doenças cardiovasculares, com maior propensão a acidentes vasculares cerebrais.

Pessoas com apneia do sono podem estar predispostas a acidentes vasculares cerebrais, principalmente devido à série de sintomas que apresentam, em particular as quedas repetitivas dos níveis de oxigênio no sangue durante o sono, que resultam em intermitente baixa oxigenação nas células e tecidos, frequentemente associada à inflamação sistêmica.

A fragmentação do sono, devido aos frequentes microdespertares provocados pela apneia do sono, também consiste numa causa importante para o evento cardiovascular, pois resulta em hiperatividade simpática.

Distúrbios do Sono como Consequência do AVC

A ocorrência de insônia tem sido observada em aproximadamente 50% dos pacientes que sofreram um AVC.

Distúrbios respiratórios do sono, incluindo apneia obstrutiva e central, com um índice de apneia-hipopneia de 5 eventos por hora, em média, são comuns após um AVC.

Hipersonia, também conhecida como sonolência excessiva diurna, pode acompanhar o paciente que sofreu AVC, principalmente se o evento ocorreu nas áreas subcortical e ponto-mesencefálico. Uma maior necessidade de sono é observada nos meses pós-incidente.

A Síndrome das Pernas Inquietas – um impulso noturno de mover as pernas, que piora com o repouso e melhora com o movimento -, conhecida como movimentos periódicos dos membros, pode ser identificada por meio do exame de polissonografia. Este sintomas são mais frequentes no lado contralateral da região cerebral afetada pelo AVC.

Distúrbio de comportamento do sono REM, associado ao comportamento clínico do sonho, é frequente nos pacientes que sofreram AVC, na forma de sono REM sem atonia muscular. Neste distúrbio, a pessoa se movimenta, “vive” o sonho e pode até se machucar. O distúrbio pode ser identificado por meio de polissonografia.

Distúrbios do Sono e seu Impacto na Reabilitação pós-AVC

Pacientes com distúrbios do sono e AVC costumam apresentar uma adesão mais baixa a programas de reabilitação pós-AVC, principalmente por conta da combinação das limitações causadas pelo AVC e dos sintomas dos distúrbios do sono, como a sonolência diurna excessiva, fadiga e piora da função cognitiva.

Identificando e Tratando os Distúrbios do Sono no AVC

Reconhecer a presença de distúrbios do sono em pacientes que sobrevivem ao AVC pode tornar-se um desafio, em grande parte dos casos. Isto porque os sintomas associados a um distúrbio do sono são frequentemente atribuídos ao próprio AVC.

Uma análise cuidadosa do médico neurologista pode determinar se o distúrbio do sono estava presente antes do AVC ou se desenvolveu-se após o evento.

Distúrbios do Sono e AVC – Compreenda esta Relação Bidirecional
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Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo

Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
Dr Daniel Azevedo