A Importância do Diagnóstico Diferencial para Tonturas e Vertigens

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A Importância do Diagnóstico Diferencial para Tonturas e Vertigens

tonturas e vertigens

As tonturas e vertigens estão entre os sintomas mais comuns nos pacientes que procuram atendimento médico, perdendo apenas para dores de cabeça e nas costas.

Isto é preocupante, principalmente em pacientes idosos ou com outros déficits neurológicos, pois a queda é uma consequência grave da tontura, que pode ocasionar outras complicações.

Tonturas de Origem Periférica ou Central

Quando associadas a zumbido e/ou perda auditiva, a primeira suspeita que investigamos é que as vertigens e tonturas são sintomas de distúrbios do sistema auditivo.

Nos casos em que o paciente apresenta enxaqueca com sintomas de vertigem, náuseas ou até mesmo perda auditiva leve, pode haver algum distúrbio no sistema nervoso central. Assim, é extremamente importante que o neurologista acompanhe este paciente.

A atuação do neurologista nos serviços de saúde está sendo cada vez mais necessária para a realização do diagnóstico diferencial dos casos de tonturas e sintomas relacionados.

A diferenciação entre a tontura periférica e a central é importante para que os pacientes encaminhados para um otorrinolaringologista sejam aqueles que necessitam de testes auditivos e vestibulares, e os pacientes com suspeita neurológica sigam o tratamento com o neurologista.

Principais Causas das Tonturas

As vertigens de origem periférica incluem neuronite vestibular, vertigem de posicionamento paroxística benigna (VPPB), doença de Meniére e doença imuno-mediada da orelha interna.

Entre as causas de origem central, a enxaqueca é a mais comum, mas tumores acústicos, lesões vasculares do tronco cerebral ou cerebelar e desmielinização também provocaram os sintomas.

Um estudo realizado entre 2007 e 2009 com 907 adultos que apresentavam vertigem ou desequilíbrio constatou que, destes pacientes, 49 tiveram um diagnóstico neurológico sério, como doença cerebrovascular. Entre os casos benignos, 294 pacientes tinham vertigem periférica e 121 foram diagnosticados com hipotensão ortostática.

Diagnóstico Diferencial

A avaliação clínica do paciente com tonturas e vertigens é minuciosa, concentrando-se na origem e duração dos sintomas e nos fatores que provocam ou aliviam as crises. É comum que o médico peça para o paciente descrever sua vertigem sem usar a palavra “tontura”, pois os pacientes costumam descrever instabilidade, fraqueza generalizada, síncope ou até desequilíbrio como tontura.

Dessa forma, é possível distinguir a vertigem, que é um subtipo de tontura, definida como uma ilusão de movimento, e na maioria das vezes possui causa vestibulares, de outros tipos de tontura, que podem ser devido a doenças no sistema nervoso central, doenças cardiovasculares ou sistêmicas.

Os exames auditivo, vestibular, complementar de sangue e radiológicos ajudam a fechar o diagnóstico, mas devem ser realizados após a avaliação física do paciente, que levanta as principais causas suspeitas e auxilia na escolha dos exames.

Durante o exame físico, é realizada a avaliação dos sinais vitais e dos sistemas cardiovascular e neurológico. O médico também verifica a presença de infecções, testa a audição e a discriminação, examina a amplitude de movimento e flexibilidade, realiza testes cerebelares e avaliar as condições dos nervos cranianos, as capacidades motoras e sensoriais, a marcha e a postura.

O Doppler Transcraniano no Diagnóstico das Tonturas e Vertigens

O Doppler transcraniano também pode ser usado para avaliar a circulação encefálica, sobretudo os vasos sanguíneos que irrigam o tronco encefálico.

O DTC também avalia, através de manobras dinâmicas, o comportamento do fluxo sanguíneo quando o paciente muda das posições deitada para sentada e em pé. Esta avaliação é fundamental para o diagnóstico das causas vasculares e disautonômicas de vertigens.

Com base na história do paciente e nas constatações do teste físico, o médico pode formular uma base para o diagnóstico diferencial, definindo se os sintomas podem ser periféricos ou centrais e considerando testes adicionais, como audiometria, exames vestibulares e de sangue, além de tomografia computadorizada ou ressonância magnética, de acordo com os achados físicos em cada caso.

É importante considerar que os médicos responsáveis por interpretar esses exames devem ter o treinamento adequado e experiência em neurofisiologia para interpretar corretamente esses resultados e definir o tratamento adequado.

A Importância do Diagnóstico Diferencial para Tonturas e Vertigens
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Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo

Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
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