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A Doença de Parkinson trata-se de uma doença neurológica, neurodegenerativa, crônica e progressista, que afeta predominantemente pessoas acima de 65 anos. Estima-se que cerca de 1% da população mundial, na faixa etária acima dos 65 anos, apresenta DP.

Não existe cura para o Mal de Parkinson, mas existem tratamentos disponíveis e eficazes no controle da doença, com potencial de controlar e minimizar seus sintomas.

Quando se fala em Parkinson, automaticamente vem à mente os sintomas motores da doença, tais como tremor, rigidez e lentidão para executar movimentos.

Entretanto, a complexidade da doença vai além dos sintomas motores e abrange uma série de outros sintomas, denominados não-motores, que compreendem: alterações no olfato, no intestino, distúrbios do sono (sonambulismo, pesadelos), distúrbios psiquiátricos (depressão, ansiedade, psicose), alterações da memória e demência.

Alterações da Memória e Demência na Doença de Parkinson

As alterações leves cognitivas e da memória, chamadas de comprometimento cognitivo leve (CLL) são frequentes na Doença de Parkinson: estão presentes em até 30% dos estágios iniciais da doença.

Entretanto, quando as alterações da memória se agravam de forma que dificultem ou impeçam o desempenho do paciente de suas atividades diárias, recebem o nome de demência na Doença de Parkinson. Os estágios mais graves de alterações da memória atingem entre 30 e 40% dos pacientes parkinsonianos.   

Demência na Doença de Parkinson

A demência na Doença de Parkinson caracteriza-se por dificuldades e limitações em diversas funções cognitivas. Além das alterações da memória, ocorrem também perdas na amplitude atencional, na linguagem, nas habilidades visual-espaciais e  nas funções executivas – a capacidade do indivíduo de planejar, iniciar, executar e concluir tarefas corriqueiras.

Estes prejuízos refletem-se no dia a dia do paciente parkinsoniano, em  sua dificuldade em acessar a memória, se recordar de eventos e realizar suas tarefas cotidianas – como administrar suas medicações e solucionar problemas diários – além da ocorrência de delírios e alucinações, em alguns casos.

Tais limitações impactam negativamente na qualidade de vida do paciente com Parkinson, reduzindo sua capacidade funcional e aumentando os riscos de internação.

Demência na Doença de Parkinson – Fatores de Risco

Os fatores de risco para o desenvolvimento da demência na Doença de Parkinson são:

  • Surgimento da doença em idade avançada;
  • Estágio avançado do comprometimento motor;
  • Evolução rápida da doença;
  • Presença precoce de alucinações;
  • Grau elevado de comprometimento clínico;
  • Baixa resposta e efeitos colaterais à levodopa, medicamento utilizado no tratamento das síndromes parkinsonianas.

Alterações da Memória e Demência na Doença de Parkinson – Diagnóstico

O diagnóstico das alterações na memória e da demência na Doença de Parkinson é clínico, e deve ser realizado por um médico neurologista especialista nessa área, com base na descrição do paciente e de seus familiares e na aplicação de testes e baterias cognitivas específicas.

A participação e percepção familiar são fatores determinantes no diagnóstico e tratamento precoces das alterações da memória nos pacientes parkinsonianos.

Caso você note alterações na memória ou incapacidade de raciocínio do indivíduo, marque imediatamente uma consulta com o neurologista de sua confiança. O diagnóstico deve ser precoce, para garantir a eficácia do tratamento adequado indicado pelo especialista, assim como a introdução de novas possibilidades terapêuticas.  

Alterações da Memória e Demência na Doença de Parkinson – Tratamento

Existem medicamentos, denominados inibidores da colinesterase, eficazes no tratamento da demência e das alterações da memória decorrentes da Doença de Parkinson, e seu uso está disponível em todo o país.

A principal finalidade do tratamento medicamentoso é estabilizar o quadro cognitivo do paciente parkinsoniano, minimizando a progressão dos sintomas. Contudo, ele também pode promover benefícios no controle das alterações comportamentais e alucinações do indivíduo.

Alterações da Memória e Demência na Doença de Parkinson
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Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo

Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
Dr Daniel Azevedo