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A ocorrência de convulsão em idosos ainda é um tema em que a literatura é escassa, permanecendo muitas dúvidas. No entanto, já temos algumas evidências de uma relação bidirecional entre a epilepsia nos adultos mais velhos e o acidente vascular cerebral.

Ao longo deste artigo, vamos compreender mais sobre estas duas doenças e como ambas podem “ser” e compartilhar fatores de risco entre si.

Convulsão em Idosos

Em idosos, geralmente a epilepsia provoca diversos sintomas. Crises focais, com perda de consciência, costumam ser as mais comuns nesta faixa etária.

Algumas características apresentadas durante estas crises podem ser: um olhar vazio, perda da consciência, tonturas ou confusão que dura horas, dias ou semanas, podendo levar a diagnóstico incorreto de demência.

Podem ocorrer também crises generalizadas, embora menos frequentes. Estas podem acarretar morbidade, devido aos traumas que são causados.

Convulsão em Idosos – Causas

Entre as causas da convulsão em idosos, as doenças cerebrovasculares são responsáveis por 30% a 50% dos casos. Veja a seguir quais são as principais causas e sua incidência:

  • acidente vascular cerebral (AVC) – de 40% a 50% dos casos;
  • distúrbio metabólico sistêmico –  de 10% a 15% dos casos;
  • traumatismo cranioencefálico (TCE) – de 5% a 10% dos casos;
  • abstinência alcoólica – de 5% a 10% dos casos;
  • infecção do sistema nervoso central – de 5% a 10% dos casos;
  • intoxicações – de 5% a 10% dos casos.

Crises epilépticas também podem ocorrer em infartos, hemorragia intracerebral e hemorragia subaracnóidea. Entre estes eventos, os infartos hemorrágicos são associados à epilepsia mais frequentemente, em comparação aos ataques isquêmicos transitórios.

AVC e Convulsão em Idosos

Nem sempre é possível estabelecer uma conexão precisa entre a epilepsia e o AVC. Muitas vezes, pode apenas parecer que são duas patologias frequentes e concomitantes. Por outro lado, convulsões e crises epilépticas acometem grande parte dos pacientes que sofreram AVC.

Além disso, a relação entre AVC e epilepsia em idosos vem demonstrando ser bidirecional. Diversos estudos apontam que o risco de AVC é quase três vezes maior em pacientes que apresentam crises epilépticas de início tardio.

AVC como Causa para Convulsão em Idosos

As principais consequências de um AVC são as sequelas motoras e de linguagem. No entanto, existem outras complicações que também podem ocorrer. Entre elas, estão as crises epilépticas, já que diversos tipos de lesão vascular cerebral podem resultar em epilepsia.

As primeiras convulsões pós-AVC podem estar relacionadas a alterações como distúrbios metabólicos, excesso de neurotransmissores, hipóxia, hipoperfusão sanguínea e irritação por componentes do sangue.

Crises tardias podem resultar de anormalidades como cicatrizes e mudanças na excitabilidade neuronal, entre outros fatores.

Um estudo apresentado no XXIII World Congress of Neurology (WCN), em setembro de 2017, apontou que o acidente vascular cerebral foi a principal causa para o diagnóstico de epilepsia de início recente em pacientes com idade acima de 65 anos, em uma corte formada por 74 mulheres e 79 homens, com idade média de 67,2 anos.

Dessa forma, é importante que os pacientes com crises epilépticas de início tardio sejam acompanhados para investigar fatores de risco para AVC, com a finalidade de tratá-los adequadamente.

Convulsão em Idosos como Causa para AVC

Um estudo realizado por pesquisadores da Weill Cornell Medicine, Nova York, examinou dados de beneficiários do Medicare (seguro de saúde dos EUA para pacientes idosos) internados ou em acompanhamento ambulatorial, com diagnóstico de convulsão, que apresentaram anteriormente eventos de AVE (acidente vascular encefálico) ou infarto agudo do miocárdio (IAM).

Os resultados demonstraram que pacientes idosos com epilepsia possuem muito mais doenças vasculares e fatores de risco para o acidente vascular cerebral, do que a população em geral.

Os pesquisadores sugerem que se um paciente idoso passa a apresentar convulsões, é importante considerar um risco para AVC. A partir de então, podem ser tomadas medidas de controle dos fatores de risco, como pressão arterial, colesterol, fibrilação atrial e tabagismo, para evitar um possível evento.

Convulsão em Idosos e sua Relação com o AVC
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Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo

Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
Dr Daniel Azevedo

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