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Uma pesquisa de mestrado realizada na Universidade Federal de Goiás revelou o perfil epidemiológico dos transtornos psiquiátricos de crianças e adolescentes internados em um hospital de referência em Goiânia.

O estudo analisou prontuários de 1.318 pacientes menores de 18 anos e indicou que o Transtorno Bipolar é o diagnóstico mais comum, com um total de 35,4% dos pesquisados. A maioria dos pacientes com transtorno bipolar, transtorno relacionado a abuso de substâncias e transtorno mental orgânico eram homens; e em relação a transtorno depressivo e transtorno dissociativo, houve maioria feminina.

Em relação à faixa etária, houve predominância do transtorno bipolar e transtorno relacionado a abuso de substâncias na faixa etária de 15 a 18 anos. Os problemas como transtorno mental orgânico e TDAH são predominantes na faixa de 10 a 14 anos.

Comorbidades apresentadas nos pacientes

De acordo com o estudo, comorbidades estiveram presentes em 46,2% dos voluntários pesquisados. Os transtornos disruptivos, caracterizados por comportamentos de transgressão de regras, comportamentos desafiadores e antissociais, registram 9,1% dos casos. A hiperatividade e o déficit de atenção também apresentam relativa importância, com 8,5% dos casos.

Dentre sintomas e síndromes descritos em prontuários, a Síndrome Psicótica foi a mais relatada (31%). Caracterizada por uma combinação de comportamento hiperativo e desatenção, além da falta de envolvimento persistente nas tarefas, a Síndrome Hipercinética (30,2%) vem em seguida, acompanhada da Síndrome Orgânica, Depressiva e Ansiosa. A menos relatada é a Síndrome Distímica, uma forma mais branda, contudo crônica, de depressão que, em crianças e adolescentes, chega a durar um ano. O diagnóstico da distimia costuma ser de difícil solução, já que pode ser confundido com outros problemas.

A importância de maior atenção aos adolescentes

Este tema afeta diretamente a saúde pública, já que é comum o aparecimento de doenças que, geralmente, acometem o adulto, ainda na adolescência. Entre adultos que apresentam quadros de doença psiquiátrica, 73,9% já desenvolveram o transtorno antes dos 18 anos e 50% antes dos 15 anos de idade. Graves consequências sociais e de saúde pública estão emergindo desse fato, sendo o suicídio a terceira causa de morte entre adolescentes.

No estudo, o transtorno relacionado ao abuso de substâncias é demonstrado como grave problema de saúde pública, com alta frequência como diagnóstico principal e comorbidade. Além disso, esta espécie se associa aos transtornos disruptivos e aos transtornos bipolares, o que exige muita atenção de familiares e equipe médica.

Novas tecnologias para o diagnóstico

Uma nova possibilidade para melhorar o diagnóstico de adolescentes que possam ter esquizofrenia foi apresentada na revista “Schizophrenia”, editada pela “Nature”: por meio da análise da fala dos pacientes, realizada a partir do uso de algoritmos para mensurar padrões.

A técnica está sendo desenvolvida por pesquisadores do Instituto do Cérebro, em Natal. A partir da definição de um índice de fragmentação, seria possível prever com mais rigor qual a situação do paciente. Uma das ideias é analisar as desordens do pensamento manifestadas na fala.

Sabemos que existe certa dificuldade em diferenciar a esquizofrenia de transtorno bipolar ou de comportamento. Com esta metodologia, pode haver uma melhora no diagnóstico, na ordem de 91,67%. De acordo com os cientistas, em dois relatos de 30 segundos já seria possível analisar a fala e perceber, através da transcrição, se o jovem tem ou não esquizofrenia.

A melhora no diagnóstico é importante para evitar que o paciente deixe de ser atendido de forma correta, com um processo terapêutico adequado.

Comorbidades entre Distúrbios Psiquiátricos e TDAH
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Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo

Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
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