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Um estudo apresentado na International Stroke Conference de 2017 indicou que a Cirrose Hepática aumenta o risco de AVC. Os resultados deste estudo desafiaram a noção de que a doença é protetora contra o AVC isquêmico e complementam as evidências de um risco aumentado de AVC hemorrágico em pacientes com cirrose.

Continue a leitura deste artigo para compreender melhor os mecanismos que relacionam a cirrose hepática ao AVC.

Cirrose Hepática Aumenta o Risco de AVC

A cirrose está associada a processos hemorrágicos em regiões externas ao fígado e trombóticos, como sangramento gastrointestinal e tromboembolismo venoso.

As complicações cerebrovasculares da cirrose ainda são menos compreendidas. Estudos iniciais relataram uma redução da ocorrência de acidente vascular cerebral em pacientes com a doença no momento da autópsia. Estudos mais recentes encontraram um risco reduzido de acidente vascular cerebral isquêmico, mas estes avaliaram grupos populacionais pequenos e estreitamente definidos.

Neste estudo, os pesquisadores examinaram registros de beneficiários do Medicare (seguro de saúde pago pelo governo dos EUA a pacientes idosos), com idade média de 74 anos e diagnóstico de cirrose hepática.

A cada ano, 2,2% daqueles que tinham cirrose hepática sofreram AVC, versus 1,1% daqueles sem a doença. Após o ajuste para características demográficas e fatores de risco para AVC, pacientes com cirrose hepática tiveram um risco 40% maior de acidente vascular encefálico, em comparação aos seus pares sem a doença.

Em uma análise separada, os pesquisadores identificaram indivíduos com cirrose associada ao álcool e não associada ao álcool. Os resultados demonstraram que o risco de AVC – inclusive AVC isquêmico – foi consistentemente elevado em relação a indivíduos sem cirrose.

A Cirrose Hepática

A cirrose hepática é uma doença que afeta o fígado, provocando a substituição do tecido hepático normal por nódulos e tecido fibroso, fazendo com que este órgão deixe de executar normalmente sua função.

Entre diversas funções essenciais à vida, o fígado atua na metabolização de toxinas, armazenamento de glicose, produção de colesterol e síntese de fatores da coagulação.

Este órgão é capaz de reparar-se quando agredido. Contudo, se a agressão ocorrer de forma persistente por muitos anos, como ocorre com o consumo crônico e abusivo de álcool, o processo de reparação passa a envolver a formação de tecido cicatricial ao invés de tecido com células hepáticas normais.

Cirrose Hepática e Coagulopatias

A cirrose hepática frequentemente evolui com distúrbios da coagulação sanguínea, resultando em graus variados de déficit de fatores plasmáticos da coagulação, disfunção e diminuição do número de plaquetas, além de outras condições associadas que contribuem com o agravamento do quadro.

O conceito de que os distúrbios da coagulação na cirrose aumentam o risco de sangramento, devido a um estado de hipocoagulabilidade, tem sido aceito na Hepatologia há décadas.

No entanto, estamos descobrindo mecanismos compensatórios, demonstrando que a cirrose pode estar associada tanto à hipocoagulabilidade quanto à hipercoagulabilidade.

Os Resultados do Estudo como Oportunidade de Prevenção

Os pesquisadores informaram que os pacientes estudados eram idosos e tinham uma alta carga de fatores de risco vasculares. Portanto, estes achados não devem ser generalizados para todos os pacientes com cirrose hepática.

Contudo, estes resultados servem de alerta para os médicos responsáveis por pacientes com cirrose hepática, particularmente os mais idosos, para que os fatores de risco vasculares sejam investigados de forma apropriada, já que esta doença aumenta o risco de AVC em parte dos pacientes, sobretudo naqueles com alta carga de fatores de risco.

Além disso, esta pesquisa desafia a ideia de que o AVC isquêmico não acontece na cirrose hepática. Sabemos que estes pacientes estão propensos a sangrar, pois existem anormalidades pró-hemorrágicas associadas ao dano hepático. Mas complicações trombóticas cerebrais, como o AVC, poderiam ser explicadas, pelo menos em parte, pela falta de um tratamento preventivo de coágulos sanguíneos.

Isso demonstra a importância do acompanhamento mais próximo desses pacientes, para se avaliar até que ponto o desenvolvimento de coágulos sanguíneos pode ser evitado.

Um dos recursos que podem ser utilizados para uma avaliação mais apurada é o ultrassom transcraniano. Nosso artigo: “Ultrassom Transcraniano na Cirrose Hepática” demonstra como este exame contribui com o diagnóstico e prevenção de um AVC nos pacientes que enfrentam a doença.

Se você ou um ente querido já recebeu o diagnóstico de cirrose hepática, procure um neurologista de confiança para uma avaliação neurológica como forma de prevenção a um evento cerebrovascular.

Artigo publicado em: 29/09/2017.

Artigo atualizado em: 09/08/2019.

Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo em Neurologista SP
Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
Dr Daniel Azevedo

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