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Entrevista Dr Daniel Azevedo Neurologista para o Momento Saúde
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Um estudo apresentado na International Stroke Conference de 2017 indicou que a Cirrose hepática aumenta o risco de AVC.

Os resultados deste estudo desafiaram a noção de que a cirrose é protetora contra AVC isquêmico e complementam as evidências de um risco aumentado de AVC hemorrágico em pacientes com cirrose.

Neste artigo, vamos compreender melhor este assunto.

A Cirrose Hepática

A cirrose hepática é uma doença que afeta o fígado, provocando a substituição do tecido hepático normal por nódulos e tecido fibroso, fazendo com que este órgão deixe de executar normalmente sua função.

Entre diversas funções essenciais à vida, o fígado atua na metabolização de toxinas, armazenamento de glicose, produção de colesterol e síntese de fatores da coagulação.

Este órgão é capaz de reparar-se quando agredido. Contudo, se a agressão ocorrer de forma persistente por muitos anos, como ocorre com o consumo crônico e abusivo de álcool, o processo de reparação passa a envolver a formação de tecido cicatricial, em vez de tecido com células hepáticas normais.

Cirrose Hepática e Coagulopatias

A cirrose hepática frequentemente evolui com distúrbios da coagulação sanguínea, resultando em graus variados de déficit de fatores plasmáticos da coagulação, disfunção e diminuição do número de plaquetas, além de outras condições associadas que contribuem para agravar o quadro.

O conceito de que os distúrbios da coagulação na cirrose aumentam o risco de sangramento, devido a um estado de hipocoagulabilidade, tem sido aceito na Hepatologia há décadas.

No entanto, estamos descobrindo mecanismos compensatórios, demonstrando que a cirrose pode estar associada tanto à hipocoagulabilidade quanto a hipercoagulabilidade.

Identificando que a Cirrose Hepática Aumenta o Risco de AVC

Neste estudo, os pesquisadores examinaram registros de beneficiários do Medicare (seguro de saúde pago pelo governo dos EUA a pacientes idosos), com idade média de 74 anos e diagnóstico de cirrose hepática.

A cada ano, 2,2% daqueles que tinham cirrose hepática sofreram AVC, versus 1,1% naqueles sem cirrose. Após ajuste para características demográficas e fatores de risco para AVC, pacientes com cirrose hepática tiveram um risco 40% maior de acidente vascular encefálico, em comparação com seus pares sem cirrose.

Em uma análise separada, os pesquisadores identificaram indivíduos com cirrose relacionada ao álcool e não relacionada ao álcool. Os resultados demonstraram que o risco de AVC, inclusive AVC isquêmico, foi consistentemente elevado em relação a indivíduos sem cirrose.

Compreendendo os Resultados do Estudo

Os pesquisadores informaram que os pacientes estudados eram idosos e tinham uma alta carga de fatores de risco vasculares. Portanto, estes achados não devem ser generalizados para todos os pacientes com cirrose hepática.

Contudo, estes resultados servem de alerta para os médicos responsáveis por pacientes com cirrose hepática, particularmente os mais idosos, para que os fatores de risco vasculares sejam investigados de forma apropriada, já que a cirrose hepática aumenta o risco de AVC em parte dos pacientes, principalmente naqueles com alta carga de fatores de risco.

Além disso, esta pesquisa desafia a ideia de que o AVC isquêmico não acontece na cirrose hepática. Sabemos que estes pacientes estão propensos a sangrar, pois existem anormalidades pró-hemorrágicas associadas ao dano hepático. Mas complicações trombóticas cerebrais, como o AVC, poderiam ser explicadas, pelo menos em parte, pela falta de um tratamento preventivo de coágulos sanguíneos.

Isso demonstra a importância do acompanhamento mais próximo desses pacientes, para se avaliar até que ponto a prevenção de coágulos sanguíneos pode ser evitada.

Um dos recursos para uma avaliação mais acurada é o ultrassom transcraniano.

Veremos este assunto em detalhes no próximo artigo.

Acompanhe!

Cirrose Hepática Aumenta o Risco de AVC
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Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo

Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
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