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Atualmente, temos muitas evidências de que a sinalização disfuncional da dopamina na substância negra é um dos mais prováveis mecanismos dos sintomas comportamentais de TDAH.

Experimentos histoquímicos mostraram que a formação do foco atencional passa pelo controle do circuito tálamo-cortical, que seleciona os estímulos externos a serem processados pelo córtex, e que a substância negra projeta, através da via mesotalâmica, neurônios dopaminérgicos em direção a núcleos talâmicos.

Com isso, esta estrutura possivelmente modula a maneira pela qual o foco de atenção é consolidado.

Conhecendo a substância negra e sua importância

A substância negra tem este nome porque parte dela é enegrecida quando vista nos cortes patológicos, já que os neurônios dessa região contêm melanina, a mesma substância que provê a coloração negra da pele.

Esta estrutura localiza-se no mesencéfalo, uma área do tronco cerebral, e seus neurônios comunicam-se com vários núcleos cerebrais, mediados por conexões através da dopamina e outros neurotransmissores.

Essas projeções dopaminérgicas modulam circuitos que desempenham um importante papel em várias funções executivas, incluindo inibição comportamental, atenção e memória de trabalho.

Até recentemente, sua importância estava no fato de que a degeneração destas células e de suas conexões com outras partes do cérebro leva aos sintomas motores da doença de Parkinson. Mas atualmente já temos evidências de que outras patologias também podem iniciar nesta estrutura.

Os modelos neurobiológicos do TDAH

Diversos estudos fornecem evidências convincentes de que, no transtorno, o sistema dopaminérgico está hipofuncionante e o sistema noradrenérgico está hiperfuncionante.

Os modelos neurobiológicos recentes sobre o TDAH e os achados de estudos de imagem sugerem um envolvimento crucial dos núcleos dopaminérgicos do mesencéfalo, especialmente a substância negra (SN), na patogênese dos sintomas de TDAH.

Alterações da ecogenicidade da substância negra no TDAH

Um estudo do Departamento de Neurologia da Universidade de Magdeburg, na Alemanha investigou se as alterações nas características ultrassonográficas da substância negra poderiam servir como marcador biológico em pacientes com TDAH.

Para isto, os pesquisadores analisaram a ecografia transcraniana de 29 crianças e adolescentes com TDAH e 27 participantes de controle saudáveis.

Ao correlacionar as alterações do mesencéfalo aos sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade, os pesquisadores constataram que os pacientes com TDAH apresentavam um aumento na ecogenicidade da substância negra.

O ultrassom transcraniano no diagnóstico do TDAH

A ultrassonografia transcraniana vem demonstrando eficácia para o diagnóstico de TDAH, uma vez que a estrutura da substância negra é facilmente acessada por este exame, possibilitando uma avaliação precisa da função do sistema dopaminérgico, inclusive, se a hiperecogenicidade da substância negra está relacionada funcionalmente com as alterações no aprendizado, função motora e também no sistema de recompensas.

Um estudo da Saint-Petersburg Medical Academy of Postgraduate Education constatou um declínio pós-natal gradual da ecogenicidade da substância negra em crianças, sugerindo uma modificação dependente da idade. Ou seja, à medida que a criança se desenvolve, ocorre redução da área ecogênica da substância negra no mesencéfalo, durante a primeira década de vida.

As conclusões deste estudo sugerem que o aumento da ecogenicidade da substância negra em pacientes com TDAH, em relação aos controles saudáveis, reforça a hipótese de um atraso no desenvolvimento estrutural encefálico nesta doença.

Dessa forma, é plausível que o TDAH envolva vários tipos de desequilíbrios dopaminérgicos, onde cada sintoma de desatenção apresente características neuroquímicas específicas.

Por exemplo, quando tal descontrole é acompanhado da baixa atividade dopaminérgica cortical, a tendência à focalização ou à desfocalização transforma-se na impossibilidade do processamento cortical de estímulos, o que explicaria a incapacidade em deslocar o foco atencional para novos estímulos no paciente com TDAH.

Alterações na Substância Negra e TDAH
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Dr Daniel Azevedo

Dr Daniel Azevedo

Neurologista membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e pós-graduando do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo, no Laboratório de Neurossonologia do Hospital das Clínicas. Possui título de especialista em neurossonologia concedido pela World Federation of Neurology e pela Academia Brasileira de Neurologia. Atua principalmente nos seguintes temas: doenças cerebrovasculares, hemodinâmica encefálica e neurointensivismo
Dr Daniel Azevedo